Querida C., fiquei triste de ler seu relato e saber do seu sofrimento. Perder avós e animais de estimação não é algo pequeno e simples. É um luto enorme, que precisa de tempo e, por vezes, de outros recursos para a gente elaborar de modo menos angustiantes (falo por experiência própria). Pensando em tudo o que você escreveu, quero dar duas sugestões ligadas a experiências que eu mesma vivi (e às vezes ainda vivo) e em como Deus tem me ajudado. Quem sabe podem servir de referência para você.
Primeiro, muitas coisas que você descreve de pensamentos e sentimentos parecem refletir um quadro de ansiedade e depressão, duas questões que têm causas físicas, e não apenas psicológicas e, portanto, que requerem cuidados médicos e, com frequência, melhoram bastante com medicação adequada. Talvez eu tenha dito isso para você antes, mas quero destacar novamente: seria uma ótima ideia você procurar um médico psiquiatra e descrever tudo o que você compartilhou (tristeza, culpa, medo, ansiedade) e qualquer outro pensamento, sentimento e também sensações físicas que você tenha. Com medicação certa, em conjunto com a terapia, esse quadro pode mudar (e muito!) para melhor. Cuide bem do corpo que Deus lhe deu. Use esses recursos que ele disponibiliza bondosamente para nós. Respondendo sua pergunta final, portanto, é isso que eu faria (aliás, é isso que eu fiz!): continuaria a ir à psicóloga e procuraria um(a) psiquiatra, um(a) profissional sério(a), que pudesse caminhar comigo em um tratamento com medicação apropriada. É bem possível que não seja para o resto da vida (no meu caso não foi), mas apenas até passar esse tempo mais difícil e você encontrar outras maneiras de lidar com os desafios tamanho GG da vida.
E, quanto às redes sociais, eu tenho uma relação de amor e ódio com elas, kkk. Fiz bons contatos de trabalho, comecei a desenvolver projetos e acompanho a jornada de amigos por meio delas. Mas também vejo como, às vezes, geram mais medo, mais ansiedade e trazem conteúdos perigosos, que não são nada bíblicos e que mexem forte com pensamentos e emoções. Nessas horas, uma coisa que pode ajudar é fazer um “jejum de redes sociais”. Coloque um post avisando seus amigos que, nos próximos 2, 3, 4 meses (ou seja lá o tempo que você precisar) você não vai estar presente ali. Se quiserem entrar com contato com você, que o façam de outra forma (Whatsapp, p. ex.). Ah, e desligue (ou mesmo saia de) grupos do Whatsapp também caso eles tragam conteúdos negativos.
Se você ficar essa pausa, dará tempo de acalmar pensamentos e sentimentos e também mostrará para o algoritmo seu desinteresse nos conteúdos que ele indica. Recomendo fortemente que você faça essa experiência. E existem maneiras também de sinalizar o que você não quer ver. No instagram, por exemplo, você pode pausar as sugestões, pode dizer que o conteúdo inapropriado, etc.
Você tem poder de controlar o que chega até seus olhos. Use esses recursos depois do seu jejum para limpar seu feed.
E, acima de tudo, amiga, lembre-se de que Deus não abandonou você. Ele está ao seu lado. Ele está dentro de você por meio do Espírito, para consolar, fortalecer, dirigir, tranquilizar e ajudar você a encontrar caminhos nessa fase tão difícil. Confie nele, busque a ajuda necessária e saiba que ainda teremos muitos motivos de louvor a gratidão para celebrarmos juntas.
Até a próxima!
Kisses,
Su