Hello, A.! Que bom encontrar com você aqui novamente!
Obrigada por dividir essas questões tão complexas e dolorosas que estão morando dentro de você. Muitas vezes, o simples exercício de colocar isso tudo para fora já ajuda um pouquinho, não é?
Fiquei triste de saber que realmente não tem diálogo nenhum com seus pais. E entendo que tem muita coisa acumulada nesse relacionamento. Várias das questões que você comentou são motivos legítimas para você ficar magoada e triste. Não é coisa da sua cabeça. Uma das coisas mais difíceis é a gente saber que não está sendo ouvida e não está sendo respeitada.
Eu acho que ainda valeria a pena você escrever uma carta para seus pais (ou para sua mãe, talvez?) simplesmente dizendo que você gostaria de ter mais diálogo com eles, de ter respeito mútuo, ou seja, de ser mais ouvida e validada em alguns pontos. Escolha uma ou duas questões que são de maior importância, e apenas as mencione, pedindo com muita gentileza e educação que houvesse alguma mudança nesse aspecto. Talvez Deus use essa carta para mudar algo. Talvez não adiante nada. O mais importante é você saber que tentou melhorar a situação.
A segunda coisa que, a meu ver, pode tornar sua vida um pouco menos atribulada no convívio familiar é o perdão. Perdoar isso tudo que você descreveu talvez pareça a coisa mais difícil do mundo – e, como nossas próprias forças, é impossível mesmo. Eu sei do que estou falando, pois venho de uma família onde teve abuso verbal, emocional e sexual. A capacidade de perdoar nossos pais é um presente que Deus nos dá para o nosso bem, para que esses conflitos todos não atrapalhem nosso relacionamento com Ele e não pesem mais adiante nos nossos relacionamentos com outros.
Faça uma lista de tudo o que está pesando (tipo as coisas que você descreveu pra mim). Não se preocupe com a redação, nem em fazer uma letra bonitinha. Pode escrever com raiva, pode escrever palavras feias até. Pode (deve!) despejar tudo no papel, em quantas folhas precisar. Lave a alma! kkk Depois, pegue essas folhas de papel e pique em pedacinhos beeeeem pequenos, de um jeito que não dê para ninguém ler/entender o que está escrito. Rasgue com a mão, até ficar bem picadinho. Enquanto você vai rasgando o papel, fale com Deus. Peça ajuda dele para perdoar todas essas ofensas contra você. Peça para ele tirar esse peso de seu coração e lhe dar liberdade. Peça para ele ajudar você a voltar a esse perdão sempre que necessário. A gente declara o perdão uma vez, mas precisa voltar para essa decisão com frequência, para não viver uma vida amargurada. Quando terminar de orar e picar o papel jogue fora esse “confete”.
Sempre que acontecer um novo incidente que magoar você, repita o processo: procure expressar para a pessoa que você ficou triste/magoada/com raiva. Mesmo que a pessoa não entenda ou não aceite, essa tentativa de articular seus sentimentos (de modo educado, respeitoso e calmo) é importante para sua saúde mental. Então, não importa o que aconteça, anote tudo. Ore e pique o papel. Como qualquer exercício, esse precisa de prática. As coisas não vão melhorar/sumir por mágica, mas Deus vai trabalhar nessa situação e vai ajudar você a lidar com sua família. Ore por seus pais. Peça para Deus colocar amor, graça, misericórdia, humildade, aceitação no coração deles. Peça ajuda do Espírito Santo para perseverar nesse exercício até que haja mudanças ou que você possa viver de modo mais independente.
Quanto à superproteção, escreva mais sobre isso para conversarmos melhor. É um assunto á parte e complexo também.
E, quanto à sua bisavó e avó, você também pode pedir com muito jeito para elas não mexerem nas coisas, não ficaram tocando em seu corpo sem permissão e não invadirem sua privacidade. Procure falar com elas várias vezes, sempre com muita calma e gentileza. E, de novo, se não adiantar, saiba que Deus vai lhe paciência para suportar. Ah, e nada de ficar sofrendo por antecipação quanto ao ano que vem. Até lá, muita coisa pode acontecer! Confie na bondade, no cuidado e no poder de Deus!
Até a próxima!
Kisses,
Su