Pergunta:

Preciso de ajuda. (Acho que já mandei mensagens aqui sobre eu não saber o que fazer da vida com outros nomes, mas vou começar a usar o meu mesmo porque você agora vai saber quem está sempre com os mesmos problemas kkkk). Tenho epilepsia mioclônica juvenil (pesquisa sobre no google pra entender algumas coisas que vou falar) desde os 17 anos e a minha história com a condição é loooooooooooooooonga e minha mãe não aceita minha condição ao ponto de nem querer falar sobre, e isso já me prejudicou bastante. Eu poderia ter evitado todas as minhas crises se ela tivesse ouvido minhas reclamações sobre os meus “pré-sintomas”. Ao longo do tempo, eu descobri que é MUITO difícil eu ter crises tônico-clônicas. Tem que ter estresse crônico por meses, medicação desregulada e meu corpo dá sinais, com as mioclonias clássicas. O maior problema é o estresse. Eu já passei por momentos de “desespero” por estar desempregada e não saber o que fazer e de estar empregada e odiar o emprego, o que também me causava estresse e ansiedade e começar a ter mioclonias. E é disso que tenho medo. Consegui uma vaga pra trabalhar/estudar no exterior, em um país que amo e que já morei, com visto pago, ajuda com a acomodação, aulas de idiomas gratuitas e etc e sei que isso é uma grande oportunidade, mas não tenho certeza se quero trabalhar e estudar naquela área porque eu nunca pensei em seguir aquela carreira, apesar de ter interesse no que é estudado etc. Percebi que quando estou bem, nada me abala, mas estar em uma situação ou emprego/curso ruim me desestabiliza. Eu gosto muito de ir a baladas e no país para o qual eu talvez vá eu ia com amigas e às vezes chegava em casa às 4h da manhã e nem tinha nada pq era algo que “lavava” minha alma quando eu estava lá. Eu estava feliz, a privação de sono e luzes piscando não eram problemas. Tenho medo de tentar essa oportunidade e não gostar, passar anos aguentando o curso, correndo o risco de ter que tomar mais remédios para controlar algo que possa voltar. Ano passado passei um bom tempo desempregada, me sentindo inútil e estressada e minha mãe ter me fez convencer o médico a diminuir a dose da medicação. Consegui um emprego em outro país. Comecei a ter mioclonias bem antes disso e tive uma crise tônico-clônica no voo. Eu odiei o país e o calor de lá, mas a parte boa foi que eu descobri que gosto de pessoas. De recepcionar, conversar, ajudar, até resolver briga kk Parece estranho, mas gosto de observar as pessoas e me perguntar: “pra onde elas vão? O que vão fazer lá? Onde elas trabalham? O que será que fazem no tempo livre?” No trabalho, era fácil tentar falar sobre coisas assim. Acabei voltando para o Brasil depois de um tempo. Enquanto isso, surgiram vagas/convites de companhias aéreas para trabalho como comissário de voo, que era meu sonho quando criança, só porque eu gostava de aviões. Ainda sou assim: gosto de estar dentro do avião, vendo e falando com as pessoas quando posso. as viagens/destinos são só detalhes. O trabalho no avião é parecido com meu antigo emprego, que eu amava (mesmo tendo que trabalhar por 12h, às vezes eu ainda fazia hora extra — todo mundo odiava o emprego e ter que lidar com os passageiros, menos eu). O problema: eles não aceitam quem tem epilepsia e eu teria que mentir pra entrar. Na outra vaga pra morar naquele outro país, o médico ocupacional provavelmente vai me impedir de realizar certas tarefas por causa da epilepsia. Estar sendo comissária, realizando meu sonho, conversando e ajudando pessoas e tendo uma vida pessoal feliz, faria meu sistema nervoso ficar feliz (e eu tbm tenho medicação de emergência se me sentir mal etc). Quando eu tive a crise no voo, me senti desamparada, o comissario q tava do meu lado mal falava comigo, nunca disseram o que aconteceu, só me deram uma mascara de oxigênio, o básico mesmo. Eu queria ser a pessoa que visse alguém na mesma situação e soubesse ajudar, porque já tbm já passei por isso e sei como a gente se sente. Eu sei como é atendimento ao cliente. Eu sei como são os passageiros no aeroporto, como eles se comportam, como lidar com problemas, eu realmente sinto a empatia que os outros não tem e eu seria a candidata perfeita. É injusto, eu sei que sou considerada um risco operacional em várias profissões, mas eu tenho um tipo benigno de epilepsia, me conheço bem e aprendi a respeitar meus limites, sei quando algo ruim pode acontecer. Mas tenho medo de seguir meu sonho e ser descoberta ou tentar algo que tenho quase certeza que vou odiar. São duas oportunidades ótimas, mas não sei no que focar. Perguntei pro meu médico hoje e ele disse: “Se quiser entrar nessas profissões ou outras parecidas, vai ter que mentir.” O que você acha disso tudo? V.

Resposta da Sú:

Hello, V.! Que bom saber seu nome de verdade 🙂

Pensando em tudo o que você compartilhou, creio que é importante avaliar algumas coisas.

Essa vaga para trabalhar/estudar no exterior, em um lugar que você gosta, é tipo regime de escravidão, tipo, se for pra lá, não dá pra voltar de jeito nenhum? kkk Pergunto isso porque às vezes a gente precisa começar uma experiência para entender se ela vai ser legal ou não, se vai dar certo ou não. E precisa ter a liberdade de mudar de ideia ao longo do caminho se precisar. Em minha opinião, muitas vezes vale a pena tentar.

E quanto a trabalhar como comissária ou outra função, o mais importante é não mentir e não esconder. Seu médico está totalmente errado no que ele disse (de ter que mentir). Enganar outros nunca traz um final feliz. Só causa complicações. Sonhos construídos sobre mentiras desabam cedo ou tarde.

Eu acredito em Deus e acredito que ele tem planos e propósitos para nossa vida. Também acredito que, quando Deus tem algo para nós, ele faz todo o necessário para que isso aconteça, sem que a gente precise mentir. Falo isso por experiência própria, pois também tenho questões que, teoricamente, poderiam me impedir de realizar meus trabalhos. Mas Deus me encaminhou para maneiras de fazer aquilo que gosto e de servir a outros com minhas aptidões.

Portanto, minha sugestão é que você tente, corra atrás das coisas para as quais você se percebe vocacionada (o que lhe dá gosto fazer). Seja honesta, mantenha sua questão de saúde devidamente monitorada, tenha estratégias para controlar estresse, etc., e vá atrás de seus sonhos. Se eles fizerem parte da história linda que Deus já escreveu para você, eles vão acontecer sem que você precise esconder nada.

E, mais importante, converse muito com Deus e procure entender o que ele tem para você. Os planos dele sempre são melhores do que qualquer coisa que possamos imaginar para nós mesmas.

Ah, e só pra você saber, também amo voar. Fiz curso de PP, mas não segui carreira (Deus encaminhou as coisas de um jeito melhor do que eu havia planejado), mas ainda sou apaixonada pelos céus 🙂

Até a próxima!

Kisses,

Su

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