Hello, E.! Você é sempre muito bem-vinda aqui 🙂
Primeiro, mesmo que você não se identifique como cristã (hoje em dia esse termo pode significar tantas coisas diferentes!), quero convidar você a conversar com Deus, a trazer esses questionamentos para ele, a estudar a Bíblia (em uma versão contemporânea, fácil de ler) e começar a entender o que ela realmente diz. Existem tantos trechos da Bíblia que falam sobre os males de condenar, de julgar, de priorizar o que é de menos importância.
Aliás, a meu ver, um sério problema em alguns círculos religiosos (e alguns não religiosos também) é que se dá importância exagerada a essa questão de gênero, como se isso definisse toda a sua identidade, todo o seu propósito de vida. Eu acredito que Deus criou cada pessoa de forma singular, para se relacionar com ele, conhecê-lo de verdade, entender o tamanho do amor, da bondade, da graça dele. Alguns se preocupam tanto com comportamentos “corretos” que esquecem que Deus nos criou para relacionamento – com ele e com outros.
Existem muitas visões sobre essas questões de gênero e diferentes formas de interpretar o que a Bíblia diz a esse respeito. Nem todos os cristãos têm a mesma opinião sobre isso. Eu participo de uma igreja, por exemplo, que acolhe todas as pessoas que estejam interessadas em se relacionar com Deus (todas meeesmo).
Em minha opinião, é muito mais produtivo, nesse momento de sua vida, pensar que Deus planejou você e criou você exatamente do jeito que você é, para alegrar o coração dele e para experimentar essa alegria também. Acredito que, quando nos relacionamos sinceramente com Deus, aquilo que vivemos aqui na terra já faz parte do que vamos viver quando estivermos face a face com ele para sempre. Nos bons casamentos, nas boas amizades, nos bons relacionamentos em família e afins, experimentamos um pouquinho da conexão profunda, de alma, que todos nós buscamos (porque fomos criados para ela). Se pensamos que nossa vida aqui é só o começo, tudo ganha sentido – e coisas que alguns valorizam taaaanto, se tornam menos importantes. Por exemplo, meu marido e eu temos um casamento muito bom, muito feliz (com ocasionais conflitos e chateações, sim) – e o mais importante para nós não é o gênero dele ou meu, mas o fato de que somos verdadeiramente companheiros. Mais do que intimidade física, temos intimidade de alma, que, de um jeito ou de outro, vai durar para sempre. É por esse tipo de relacionamento que nosso coração realmente anseia, qualquer que seja nosso gênero, nossas tendências e preferências.
Portanto, minha amiga, minha sugestão por ora é que você mude o foco. Concentre-se em descobrir que Deus realmente existe e quer conversar e se relacionar com você, não importa o que você pense no momento ou como você se sinta – e até mesmo se você tem dúvidas sobre a existência dele. Tudo bem. Ele não deixa de existir por causa de nossas dúvidas. Ele não está cobrando nada de você. Ele está oferecendo a oportunidade de você descobrir, um passo de cada vez, um jeito de viver que dura para sempre. Para cada pessoa, esse relacionamento pessoal com Deus vai trazer diferentes tipos de mudanças – na forma de ver o mundo, de ver a si mesma, de se relacionar com outros. Mas essas mudanças precisam nascer de uma caminhada com Deus (e não de regras, cobranças e imposições). É muito legal saber que nos relacionarmos com Aquele que nos imaginou e nos formou é a única forma de descobrirmos nossa verdadeira identidade (o que inclui questões de gênero, mas com certeza não se resume a elas).
Dê esse primeiro passo. Comece a falar com Deus. Saiba que ele aceita você exatamente do jeito que você é hoje e comece a descobrir tudo de bom que ele tem pra você. Posso dizer por experiência própria que vale muito a pena!
E volte para conversar sempre que quiser. Esses assuntos que você trouxe são amplos e complexos. Minha resposta foi bem geral. Portanto, se quiser tratar de pontos específicos, fique à vontade para escrever novamente. Estamos à disposição!
Até a próxima!
Kisses,
Su