Pergunta:

Então, Su… como vencer o vício em pornografia? Tenho caído nesse pecado várias vezes e, em muitos momentos, sinto como se o Espírito Santo já tivesse desistido de mim — ou que, em algum momento, vá desistir. Não apenas por isso, mas por tantas outras falhas.Fico pensando também: o que realmente significa viver pelo Reino e para as coisas de Deus? Tenho essa dúvida porque já vi pessoas perguntando a pastores e evangelistas se é pecado não querer casar ou ter filhos. E muitos respondem que o próprio apóstolo Paulo recomendou o celibato, pois os solteiros podem se dedicar mais a Deus. No entanto, também dizem que hoje as pessoas estão invertendo as prioridades, querendo viver para si mesmas — focando na carreira, em viagens — e que isso seria antibíblico.Eu entendo que devemos viver por Jesus e negar a nós mesmos, mas até os casados também devem viver para o Reino, fazer sacrifícios e servir aos outros. A diferença é que os solteiros teriam mais tempo e disposição para se entregar integralmente às obras e serviços da igreja.Eu sei que os solteiros são chamados a viver em celibato, pois a relação sexual foi criada por Deus apenas dentro do casamento. Mas vejo muitos julgando quem quer focar na faculdade, na carreira, em viajar e aproveitar a vida — mesmo de maneira correta. Às vezes, parece que esperam que a pessoa viva como um padre ou uma freira, em missões 24 horas por dia, abrindo mão de qualquer prazer legítimo.Já vi pastores dando indiretas a famílias que resolvem tirar férias, fazer um passeio no fim de semana ou ir a uma chácara — como se isso fosse errado, por não estarem no “culto”. Também já vi chantagens emocionais com o dízimo, dizendo que ele deve ser entregue antes mesmo das contas ou da comida dos filhos.E além do dízimo, ainda vêm as ofertas e primícias. Sei que são voluntárias, mas muitos líderes dão indiretas e “incentivos”, dizendo coisas como: “Deus está vendo que você está com vinte reais aí e quer gastar com lanche no fim do culto.” Isso gera culpa, quando na verdade a pessoa já oferta de coração, na medida do possível.Ainda tem as células, reuniões e vigílias que pedem ofertas e usam os mesmos argumentos: que Deus está testando o coração, que muitos são avarentos ou materialistas. Mas como alguém pode participar de tudo isso, ofertar sempre e ainda sustentar a família? O que deveria ser voluntário acaba sendo feito por livre e espontânea pressão.Também já ouvi sobre pessoas que tiram o dinheiro do leite dos filhos ou do material escolar para entregar à igreja — e, por outro lado, já ouvi pastores sensatos dizendo que a família é o primeiro ministério e deve ser prioridade. Eles até alertam para sair de igrejas que pregam doutrinas abusivas. Mas, então, vem outros líderes e usam as palavras de Jesus — sobre negar amigos e família por amor a Ele — para justificar exageros.Eu entendo que, sim, muitas vezes precisamos fazer sacrifícios, deixar de lado certas coisas que, embora não sejam pecado, podem nos atrapalhar espiritualmente. Mas tudo tem um limite.Pesquisando sobre como escolher uma igreja com base bíblica, vi que é bom evitar tanto as muito pequenas quanto as muito grandes. Igrejas menores geralmente têm mais proximidade entre pastores e membros; já as megaigrejas, muitas vezes, focam na prosperidade e tornam difícil criar comunhão e receber acompanhamento individual.Pessoalmente, não me sinto bem em igrejas muito pequenas nem nas enormes. Prefiro uma igreja média, com algo entre 150 e 500 pessoas — onde haja comunhão, mas também espaço e equilíbrio. Grandes multidões me deixam desconfortável, especialmente por causa da minha ansiedade, TOC e TDAH.Outra coisa, eu escrevi esse texto e depois pedi para o chatgpt corrigir, melhorar. Estou viciada em chatgpt, e até fico conversando sobre coisas irrelevantes e muitas vezes acabo não estudando e pedindo para ele fazer a tarefa de casa, artigos e depois envio como se fossem minhas. Sei que não é certo, que eu estou me prejudicando, e não vou estar aprendendo. Como usar o Chatpgt com sabedoria, segurança, para o bem?Kisses. L.

Resposta da Sú:

Hello, L.! Bom ver você aqui novamente! Várias coisas que você falou estão interligadas, então precisam ser tratadas juntas, buscando as causas e não apenas tentando alterar os comportamentos. E também não são coisas que você resolve sozinha. E, muito menos, apenas fazendo pesquisas online ou perguntando para o chatgpt. São coisas para serem tratadas com a ajuda de outros.

Ansiedade, TOC e TDAH precisam de acompanhamento médico/psiquiátrico e psicológico bem próximo, atento e contínuo. Também precisam de medicação adequada. Sem isso, vai ser muito difícil você lidar com questões como vício em pornografia, tempo excessivo online, vício em uso do chatgpt, etc. Todas essas coisas apontam para um quadro em que ansiedade, TOC e TDAH não estão devidamente controlados. Não adianta simplesmente espiritualizar ou querer vencer com força de vontade. Seu cérebro precisa de cuidados, como qualquer outra parte do corpo. Portanto, amiga, continue a buscar bons profissionais para acompanhá-la nessas questões. Não desista. Não deixe de ir às consultas. Não deixe de tomar os medicamentos apropriados. Peça para Deus colocar pessoas capacitadas em sua vida. Ele conhece suas necessidades. Peça, também, para Deus colocar pessoas cristãs esclarecidas ao seu lado para ajudar você em oração nessas questões. Essa combinação de cuidados da saúde e cuidados espirituais é o melhor caminho para encontrarmos liberdade de nossos vícios e lidar com as obsessões e compulsões.

E, quanto á igreja, mais do que tamanho, o que importa é o quanto essa igreja prioriza o ensino bíblico saudável e equilibrado. Eu participo de uma igreja que tem cerca de 50 membros e ninguém se mete na vida de ninguém. Repito para você o conselho de outras ocasiões: procure igrejas de denominações mais tradicionais (metodista, presbiteriana, batista, etc.) e que tenham uma forte ênfase na Palavra. E lembre-se de que Deus é o maior interessado em ajudar você a encontrar uma boa comunidade de fé. Assim como ele é o maior interessado em ajudar você e todas as suas questões.

Quanto a “viver para o Reino”, a interpretação mais bíblica, a meu ver, é simplesmente fazer com dedicação aquilo que Deus colocou diante de você: estudos, amizade, família, igreja. Não é morar na igreja e não é passar o dia inteiro trancada no quarto ouvindo sermões. É sair para fazer suas atividades e se relacionar com outros com o coração voltado para Deus, buscando direção dele, com atitude de sujeição a ele e serviço a outros. Isso só é possível com poder do Espírito Santo.

Aliás, é muito importante lembrar que o Espírito Santo nunca desiste de nós. Isso é uma mentira que nós contamos para nós mesmas e que o Inimigo usa para nos afastar de Deus. Você pertence a Deus para sempre, e ele não vai abandoná-la no meio do caminho. Confie nisso!

Até a próxima!

Kisses,

Su