Pergunta:

Oi, Su! Como você está? Por aqui tenho vividos dias caóticos, ultimamente tenho estado bem ansiosa e não sei lidar com isso. Te contei sobre a questão com a psicóloga, então, encontrei uma legal mas não acho que só a terapia está sendo suficiente. Essa semana eu fiquei muito triste, chorei até, porque não consigo superar os lutos que vivenciei. Sinto muita culpa, Su, e isso me atormenta, fico relembrando momentos e me culpando, sentindo que não fiz o suficiente nem para minha avó e nem para minha gatinha. Sinto que não fui boa neta ou tutora, que no fim de tudo, eu só tomei decisões erradas. Não consigo “superar” o passado e a saudade tem sido tão forte e presente, que também não consigo lidar, às vezes acho que estou com depressão. Minha fé também está tão fraca, eu tenho tantos medos, Su. Mesmo já sendo uma adulta, eu acho, me sinto como uma menina, uma criança, parece que parei no tempo. Já falei um monte por aqui com você e não queria ser repetitiva, mas são questões tão presentes… essa questão do fim dos tempos me assusta tanto Su, tanto que até passo mal literalmente, e acredito que o Instagram contribui muito. Qualquer acontecimento, surgem vídeos cheios de conspiração e que me fazem muito mal. Eu só queria viver e ser feliz mas esse medo do futuro é outro problema. Até pensei em sair do Instagram, mas tenho certo apego porque tem.pessoas boas que gosto de acompanhar mas será que vale a pena? Como você lida com as redes sociais, Su? Sinto que estou vivendo só no passado e no futuro, ou então me distraindo com celular, série, filme, joguinhos, acho que para esquecer um pouco as dores. Outra coisa é que me sinto tão só, não tenho muitos amigos e os que tenho são superficiais, também sinto que contei coisas para pessoas que não compreendem ou não se importam. Eu tenho uma amiga da faculdade que enquanto estava namorando não tinha tempo para amizade, mas agora que terminou fica me procurando pra desabafar o tempo todo, quer sair pra conversar, me para nos corredores para falar e isso tem me chateado pq parece que as pessoas só me querem quando é conveniente a elas, eu estou tão mal, Su e ninguém tá nem aí, só se importam com os próprios problemas. Eu não julgo, quanto a isso, mas é injusto que uma amizade só exista quando é conveniente. Desculpa o desabafo, Su, tem tantas coisas acontecendo e eu me sinto perdida, desanimada e sem fé. O que você faria para melhorar a vida, nem que fosse um pouquinho. Obrigada, sempre! C.

Resposta da Sú:

Querida C., fiquei triste de ler seu relato e saber do seu sofrimento. Perder avós e animais de estimação não é algo pequeno e simples. É um luto enorme, que precisa de tempo e, por vezes, de outros recursos para a gente elaborar de modo menos angustiantes (falo por experiência própria). Pensando em tudo o que você escreveu, quero dar duas sugestões ligadas a experiências que eu mesma vivi (e às vezes ainda vivo) e em como Deus tem me ajudado. Quem sabe podem servir de referência para você.

Primeiro, muitas coisas que você descreve de pensamentos e sentimentos parecem refletir um quadro de ansiedade e depressão, duas questões que têm causas físicas, e não apenas psicológicas e, portanto, que requerem cuidados médicos e, com frequência, melhoram bastante com medicação adequada. Talvez eu tenha dito isso para você antes, mas quero destacar novamente: seria uma ótima ideia você procurar um médico psiquiatra e descrever tudo o que você compartilhou (tristeza, culpa, medo, ansiedade) e qualquer outro pensamento, sentimento e também sensações físicas que você tenha. Com medicação certa, em conjunto com a terapia, esse quadro pode mudar (e muito!) para melhor. Cuide bem do corpo que Deus lhe deu. Use esses recursos que ele disponibiliza bondosamente para nós. Respondendo sua pergunta final, portanto, é isso que eu faria (aliás, é isso que eu fiz!): continuaria a ir à psicóloga e procuraria um(a) psiquiatra, um(a) profissional sério(a), que pudesse caminhar comigo em um tratamento com medicação apropriada. É bem possível que não seja para o resto da vida (no meu caso não foi), mas apenas até passar esse tempo mais difícil e você encontrar outras maneiras de lidar com os desafios tamanho GG da vida.

E, quanto às redes sociais, eu tenho uma relação de amor e ódio com elas, kkk. Fiz bons contatos de trabalho, comecei a desenvolver projetos e acompanho a jornada de amigos por meio delas. Mas também vejo como, às vezes, geram mais medo, mais ansiedade e trazem conteúdos perigosos, que não são nada bíblicos e que mexem forte com pensamentos e emoções. Nessas horas, uma coisa que pode ajudar é fazer um “jejum de redes sociais”. Coloque um post avisando seus amigos que, nos próximos 2, 3, 4 meses (ou seja lá o tempo que você precisar) você não vai estar presente ali. Se quiserem entrar com contato com você, que o façam de outra forma (Whatsapp, p. ex.). Ah, e desligue (ou mesmo saia de) grupos do Whatsapp também caso eles tragam conteúdos negativos.

Se você ficar essa pausa, dará tempo de acalmar pensamentos e sentimentos e também mostrará para o algoritmo seu desinteresse nos conteúdos que ele indica. Recomendo fortemente que você faça essa experiência. E existem maneiras também de sinalizar o que você não quer ver. No instagram, por exemplo, você pode pausar as sugestões, pode dizer que o conteúdo inapropriado, etc.

Você tem poder de controlar o que chega até seus olhos. Use esses recursos depois do seu jejum para limpar seu feed.

E, acima de tudo, amiga, lembre-se de que Deus não abandonou você. Ele está ao seu lado. Ele está dentro de você por meio do Espírito, para consolar, fortalecer, dirigir, tranquilizar e ajudar você a encontrar caminhos nessa fase tão difícil. Confie nele, busque a ajuda necessária e saiba que ainda teremos muitos motivos de louvor a gratidão para celebrarmos juntas.

Até a próxima!

Kisses,

Su

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