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Eu penso que não é uma coisa ou outra. A gente precisa ter uma abordagem integrada. Educação sexual, quando apresentada de forma equilibrada e sob uma perspectiva bíblica, não é incentivo ao sexo. Quando conseguimos transmitir para nossos adolescentes o verdadeiro significado da sexualidade humana, como presente de Deus para expressar intimidade de alma e profundo compromisso e até como um paralelo do relacionamento tão íntimo que existe entre Cristo e a igreja, nós podemos incluir também a “contenção de danos”. A meu ver, quanto mais meninas e meninos são ensinados a ver seu corpo como um presente de Deus, muito valioso e feito para adorar e servir ao Senhor, mais claro vai se tornado o lugar da sexualidade na vida deles. Além disso, adolescentes precisam de verdadeiro discipulado um a um, pessoas da igreja que os acompanhem de perto em todas as suas perplexidades, desafios e busca por prazer e felicidade e que os ajudem a desenvolver um relacionamento forte com Deus. Junto com os cuidados do corpo e da sexualidade, podemos (aliás, acho que devemos) apresentar métodos contraceptivos e incentivar que busquem orientação médica também. O uso de camisinha, por exemplo, é algo básico que todo adolescente deve conhecer, mesmo que vá usar só depois do casamento. A gente precisa contar com o momento de impulso, o momento em que “dá um branco” ou “dá bobeira” e o sexo acontece. E, nessas horas, eles precisam estar preparados. Adolescentes que são ensinados somente abstinência têm índices maiores de gravidez não planejada, infecções sexualmente transmitidas e até abortos. Trabalhamos, portanto, em duas frentes: mostrando o ideal de Deus e apoiando-os para que eles vivam de acordo com esse ideal (com poder e auxílio do Espírito) e também enfatizando que, se eles escolherem outro caminho, há maneiras de evitar consequências práticas muito sérias.
Pode parecer contraditório, mas todos nós vivemos na tensão entre a busca pela vida de obediência a Deus e a realidade de que, por vezes, falhamos (até propositadamente) nessa busca – e Deus oferece graça, misericórdia, perdão e recomeço.
Deus fez algo parecido com o povo de Israel no começo de sua história. A lei mosaica dizia que todos deviam ser tratados com dignidade, respeito, acolhimento. Se, porém, alguém fizesse escravos (o que não era o ideal de Deus), havia instruções sobre como tratar esses escravos. Contenção de dano.
Cada homem devia ter só uma esposa (o ideal de Deus). Se, porém, ele tivesse mais de uma, devia tratá-las com igual cuidado e dignidade. De novo, contenção de dano.
Não adianta humilhar adolescentes publicamente para botar medo nos outros. Isso causa grandes estragos em quem está sendo humilhado e só ensina os outros a esconderem melhor sua vida sexual e cuidarem para não engravidar (ou “dar um jeito” antes que a gravidez seja percebida).
Claro que toda desobediência precisa ter consequências. Mas, nesse caso, as consequências precisam incluir muita mais oração, apoio, instrução (e, possivelmente, perda de privilégios) do que de exclusão, disciplina eclesiástica e outros horrores que a gente vê em algumas círculos evangélicos.
E, reiterando, a instrução sexual, o discipulado e quaisquer eventuais consequências precisam abranger meninas e meninos. Precisamos criar uma cultura de responsabilidade conjunta.
Que Deus nos cubra de sabedoria para que orientemos bem nossos jovens e caminhemos com eles de modo agradável ao Senhor.
Kisses,
Su