Pergunta:

Oi Su! tudo bem? Su, eu tirei a carteira recentemente (faz uns 7 meses), e eu tenho muito, muito medo de dirigir, ganhei um carro da minha mãe (um ka 2009), e agora eu estava perdendo o medo, estava dirigindo sozinha pra vários lugares (só ainda tinha um pouco de medo pq meu controle de embreagem não é tão bom e minha noção de espaço também não). Eaí tudo bem, eu estava feliz pq eu estava dirigindo, vencendo o medo e estava indo bem, sempre bem atenta à tudo. Acontece que nessa quinta feira eu saí com a minha irmã de 7 anos para ir ao mercado e quando fui sair da vaga saí dando ré jurando que não tinha nenhum carro atrás de mim, eu estava concentrada em não arranhar o carro do lado que havia estacionado bem perto de mim e esqueci de olhar pra trás pra conferir se não tinha nenhum carro atrás, só ouvi um “boom” e pensei “nossa, dessa vez eu bati feio no meio fio”, vi um moço colocando a mão na cabeça e imaginei que não tinha sido um simples meio fio, quando eu saí do carro vi que tinha acertado em cheio um carro e afundado o parachoque dele. Su, eu fiquei desesperada com o fato de que EU havia causado uma batida! foi desesperador. Estava tão, tão, tão nervosa que pedi pro moço do carro que eu bati tirar o meu do meio da rua, ele tirou e voltou pra ver como estava. Eu pedi mil desculpas, disse que era recém habilitada e que ia passar o meu contato. Graças á Deus o parachoque dele não era de “lataria”, era outro material, ele puxou (fez uma força grande pra desamassar) e conseguiu voltar (desamassar mesmo) a superficie do parachoque. Ele disse pra eu ir com Deus, que essas coisas aconteciam mesmo e que não era para eu me preocupar, mesmo assim passei meu contato. Ele me mandou mensagem hoje dizendo que estava tudo bem, ele colocou um parafuso e que eu não precisava pagar nada. Su, me sinto tão mal por esse episódio ter acontecido. Me senti a pessoa mais desatenta e irresponsável do mundo. Fico remoendo aquela batida e o susto dela toda hora, nossa, é horrível. Depois dessa batida eu sinto que todo o medo que eu tinha conseguido vencer, voltou. H.

Resposta da Sú:

Hello, H.! Primeiro, parabéns por tirar sua carteira! Segundo, é importante você saber que muuuuuita gente que dirige passa por situações como a que você descreveu. Faz parte do aprendizado e, por vezes, acontece com motoristas experientes também em um momento de distração ou quando se tornam excessivamente confiantes.

Eu sei o quanto é difícil dirigir com medo e como essa insegurança pode ser prejudicial até para nossa atenção e nossos reflexos. Em contrapartida, um pouco de “medo saudável” é importante ao dirigir, pois faz com que sejamos prudentes e não nos tornemos inconsequentes. Faz com que pensemos mais nos outros, coisa que está muito em falta no trânsito e em outras áreas da vida.

Só porque você voltou a ter medo como no começo, não significa que suas habilidades são as mesmas de sete meses atrás. Ao longo desse tempo, você aprendeu uma porção de coisas e pegou prática. Isso não se apaga com um incidente como esse (que, como eu disse, faz parte da vida de toda pessoa que dirige). Lembre-se disso ao sair de carro novamente. Você está progredindo, está aprendendo, e esse incidente é parte normal desse aprendizado. Não dê ouvidos a quem diz algo diferente (ou a quem fala “nunca aconteceu comigo”).

Uma coisa prática que você pode fazer é se matricular em uma autoescola especializada em ajudar motoristas habilitados. Essas autoescolas existem para pessoas na sua situação e têm instrutores preparados para ajudar de modo específico. As aulas extras permitiram que você desenvolva mais autoconfiança e se sinta mais segura. A meu ver, é um investimento que vale a pena.

Você também pode considerar a possibilidade de uma psicoterapia de curta duração para tratar especificamente desse medo (uma terapia cognitivo-comportamental, por exemplo). Não é pra lidar com trauma de infância ou coisas desse tipo, mas pra desenvolver estratégias práticas para esse momento. Esse é outro investimento que pode valer muito a pena.

Lembre-se de que nós temos um Deus que está conosco o tempo todo, em todo lugar, ou seja, ele está com você quando você dirige. Ele se importa profundamente com essa situação e pode lhe mostrar recursos e maneiras de atravessá-la. Ore sobre isso, peça ajuda de Deus. Busque recursos práticos e confie que ele sabe de todas as suas necessidades – inclusive a necessidade de dirigir.

E se, por acaso, dirigir não for realmente uma necessidade ou um forte desejo seu, mas apenas algo que você acha que tem fazer porque outros fazem (ou uma imposição social ou familiar), lembre-se de que você tem liberdade de não dirigir. Em muitos casos, existem alternativas – algumas delas até mais economicamente viáveis e práticas do que manter um carro.

Continue a conversar com Deus sobre isso e confie que ele vai lhe mostrar o que fazer daqui pra frente.

Até a próxima!

Kisses,

Su