Pergunta:

Resposta da Sú:

Hello, I.! Eu acredito que o ideal, pelo menos do ponto de vista humano, seria mesmo que as coisas se resolvessem logo, “por decreto”. Pense, por exemplo, em quantas pessoas escravizadas não sofreram terrivelmente ao longo dos séculos por causa da demora em acabar com essa exploração (que, diga-se de passagem, ainda não foi completamente eliminada do mundo). Mas a gente precisa viver no real e entender que, por vezes, vai ter que lutar demorada e persistentemente por justiça nos vários âmbitos de interação humana.

Agora, a meu ver, é fundamental a gente entender uma coisa: só porque Deus é capaz de produzir o bem no meio de injustiça e exploração, isso não torna essas coisas boas. O mal vai ser sempre mal, mesmo que Deus use para o bem.

Também é importante a gente fazer algumas distinções bem claras. Assim como estvpro não é sexo, mas um abvso violento e uma corrupção do sexo, escravidão não é trabalho, mas um abvso violento e uma corrupção do trabalho. Nunca existiu nem vai existir “escravidão digna” ou “escravidão benéfica”.

O verdadeiro trabalho foi criado por Deus antes da queda em pecado e, portanto, é inerentemente bom e digno. Exatamente por isso, a meu ver, não deve ser usado como castigo. Seria como usar, por exemplo, o casamento (também criado antes da queda) como castigo. A meu ver, o trabalho pode, sim, ser uma forma de cultivar uma vida disciplinada, responsabilidade, maturidade, etc. Mas não deve ser punição, pois essa não é sua finalidade. O trabalho existe para servir a Deus e ao próximo e para cuidar do mundo que Deus colocou sob nossos cuidados.

E, por fim, é bom ter em mente que o bem que Deus produz(iu) do meio de circunstâncias horrendas não as torna menos horrendas e também não justifica e não desculpa as pessoas que praticam o mal.

Se a gente não tiver isso bem claro em nossa mente, pode começar a achar que os fins justificam os meios (p. ex., que um político ou líder religioso pode ser corrupto, machista, racista, violento, etc., desde que ele “ajude os pobres” ou defenda determinados “valores morais”).

Deus tem conceitos bem claros de bem e mal. Em seu imenso poder, graça e amor, ele pode produzir o bem em meio ao mal, mas isso não muda a natureza intrínseca do que é bom e do que é mau.

Graça e paz para você – e até a próxima!

Kisses,

Su