Pergunta:

Oi de novo, Su. Então minha mãe veio passar alguns dias aqui comigo e tivemos brigas, mas eu realmente dei muita razão para acontecer, tipo minha casa tava uma zona, etc… Mas mesmo depois de que limpamos, arrumamos tudos, ainda tem discussões diárias. Embora eu possa ter parcela de responsabilidade, ela briga por tudo. Como tenho tdah, tenho tendência falar demais e isso incomoda ela, ela diz que eu encomprido o assunto, que ela está estressada, ocupada, não quer saber. Só que quando é ela quer conversar, tenho ficar ouvindo por horas. As vezes ela liga da cidade dela e fica falando uns 20 minutos desabafando sobre os problemas dela. Eu tenho problemas de fala, gaguejo, não falo bem, e ela fica criticando, brigando, fazendo chacota. E na adolescência, juventude, mesmo quando eu fazia as coisas, se algo acontecia com ela, problemas pessoais, ela descontava em mim, gritava. Se algo quebrava em casa, ela já me acusava, me fazia dizer que foi eu. Tudo bem que sou meio desastrada, mas sempre que quebrava algo, eu era a primeira suspeita. E quando eu toco em algo e já quebra ela diz que eu tenho mão pesada, mexi de qualquer jeito. quando eu levava um tombo, tropeçava. ela já falava que é porque eu sou desastrada, ando de qualquer jeito, sou atrapalhada, avoada. Vou assumir, e dizer que sei que preciso mudar muito, mas nas brigas ela fica falando alto, gritando e não gosto quando eu falo também. Na hora da raiva diz que vai me bater, que os vizinhos vão ver e ouvir. Muitas vezes em pensamento, eu digo, dá vontade de falar: Tudo bem, pode me bater, os vizinhos também vão ver e ouvir eu batendo de volta ou dizer dá na minha cara, que eu torço seu braço para trás, pode me deserdar, chamar policia, tô nem ai..Tem dias que felizmente está tranquilo. Como melhorar. Se precisar sei que tenho que me afastar, mas não quero que seja permanente e sei que nos amamos, mas precisamos de ajuda profissional. L.

Resposta da Sú:

Hello, L., você mesma já respondeu sua pergunta no final: “Precisamos de ajuda profissional”. Será muito bom vocês duas procurarem e receberem essa ajuda. Agora, se por algum motivo isso não for acontecer, volto àquilo que conversamos anteriormente sobre esse assunto.

Você é uma mulher adulta, que merece ser tratada com respeito e dignidade. Honrar e respeitar sua mãe não significa deixá-la dizer ou fazer o que quiser com você. Pelo contrário, estabelecer limites faz parte desse relacionamento de respeito mútuo.

Portanto, como no caso da sua amiga abusada, você também vai precisar fazer esse exercício de dizer não e estabelecer limites com sua mãe. Isso é importante, ainda, para que não se acumulem mágoas dentro de você. Se ela fala e faz o que quer, você se vê obrigada, repetidamente, a perdoar essas ofensas, o que é muuuito difícil. Portanto, tome providências para reduzir isso. Você não precisa cortar o relacionamento, mas pode se distanciar um pouco – interagir com menos frequência. Se é estressante estar na mesma casa que ela, reduza o número de visitas por ano. Comunique-se por ligações de vídeo e mensagens.

Por vezes, a fim de honrar nossos pais e ter um relacionamento mais saudável como ele, precisa de uma medida de distância, não apenas física, mas emocional também. A terapia ajuda muito a construir essa distância e esse relacionamento de maior respeito. Se puder, use esse recurso.

Não se preste a abuso verbal ou físico e não se envolva em brigas. Se uma situação começar a se deteriorar, levante-se e saia do ambiente. Vá dar uma volta na quadra ou feche-se no seu quarto até as coisas se acalmarem. Cortar uma discussão que não está indo a lugar nenhum também é uma forma de impor limites e não deixar os sentimentos correrem soltos.

Continue a buscar ajuda de Deus e saiba que ele se importa com essa questão profundamente.

Até mais!

Kisses,

Su

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