Pergunta:

Resposta da Sú:

Querida D., sinto muito pelo sofrimento que essa questão tem causado. Que tal pensarmos juntas sobre algumas coisas?

1 – É importante tomarmos cuidado para não colocar algumas de nossas lutas em um pedestal, como se tornassem irremediavelmente “sujas” ou “indignas”. O amor de Deus por nós é fundamentado no caráter dele, na escolha dele de nos amar, e não em algo que fazemos ou deixamos de fazer. Esse amor nunca muda. Somos santas e dignas porque Jesus morreu por nós, para que nos possamos nos relacionar com ele de modo próximo para sempre. Essa é nossa identidade e nada pode mudá-la. É verdade que algumas coisas podem prejudicar aspectos de nosso relacionamento com Deus, mas ele é o maior interessado em nos socorrer, em nos mostrar como nos mantermos próximas dele.

Quando “elegemos” algo e nos concentramos inteiramente nessa questão, ela ganha força. Quanto mais tentamos reprimir, mais fracassamos. O Inimigo gosta quando a gente se concentra em uma dificuldade em vez de voltar toda a nossa atenção para Jesus e para o fato de que, nele, já somos santas e redimidas. Portanto, ao lidar com essa luta, amiga, concentre seus pensamentos em nosso Salvador. Memorize versículos, coloque-os em lugares visíveis, focalize-os não apenas quando vier a tentação, mas ao longo dos dias. Em vez de gastarmos toda nossa energia brigando com uma coisa, é muita mais saudável (e produtivo) voltar essa energia para conhecer melhor a Deus e descansar nele.

2 – Muitas vezes, em lugar de simplesmente reprimir um comportamento, precisamos entender o que há por trás dele e tratar das causas. Você identificou muito bem que sua masturbação é associada a variações hormonais. É muito natural a libido variar ao longo do ciclo menstrual, mas quando essas variações se tornam incômodas em qualquer aspecto, também pode haver formas de administrá-las. Você já conversou com sua médica sobre isso? Não precisa dar um milhão de detalhes, mas pode dizer que sua libido fica mais alta do que você gostaria no período fértil e que isso tem causado angústia pra você. Existem alguns anticoncepcionais, por exemplo, que dão mais estabilidade ao longo do mês e que reduzem a libido. Converse com sua médica, que pode prescrever o tipo certo de hormônio se for apropriado para você. E, caso esse seja um recurso, entenda-o como presente de Deus para ajudá-la nessa luta.

3 – Entenda que a masturbação como hábito (desacompanhada de pornografia ou fantasias) muitas vezes é simplesmente isso: um hábito. É um vício que pode ser quebrado ao descansar na bondade do Senhor, tomar algumas medidas práticas e, com frequência, ao entender as causas emocionais. Portanto, além de investigar o que você pode fazer para a parte física/ hormonal, reflita se há áreas em sua vida em que você tem sentido que algo não está bem. Às vezes, masturbação não tem nada a ver com sexo, mas com solidão (falta de amizades e comunhão com outros), com questões emocionais que ainda causam sofrimento (p. ex., problemas com família ou relacionamentos passados), sentimentos de inadequação na vida profissional, estudos, e por aí vai.
Além disso, você comentou que sofreu violência sexual na infância. Isso é algo muito sério, que deixa marcas (falo por experiência própria). Nem sempre é uma questão de o abuso despertar desejo. Com mais frequência, o abuso afeta como vemos a nós mesmas, outras pessoas e Deus em diversos sentidos, não apenas no âmbito sexual. Converse com Deus sobre sua vida interior como um todo e peça para ele mostrar se há áreas em que você precisa pedir o preenchimento e a ajuda do Espírito. Às vezes, tratar de questões emocionais em terapia com psicóloga(o) pode ser de grande ajuda também (esse é outro recurso importante que Deus nos dá).

E peça para Deus mostrar se há alguém em sua vida com quem você poderia dividir esse peso sem sofrer críticas, julgamentos e condenação. Quem sabe há uma mulher cristã madura na fé com quem você possa compartilhar sua luta, alguém que ore com você e lhe dê apoio ao longo da jornada. Peça para Deus lhe dar direção a esse respeito.

4 – Por fim, confie que Deus tem uma história incrível para sua vida – talvez ela inclua um companheiro, talvez não. Muitas vezes, nossas igrejas (assim como a sociedade) valorizam demais o casamento, como se fosse a única situação em que conseguimos encontrar felicidade e preenchimento. Mas a Bíblia diz algo diferente em várias passagens. Esse é um assunto extenso e complexo, mas só queria sugerir que você considere que, por maior que seja seu desejo por se casar, se Deus tiver uma história diferente escrita para você, ele com certeza vai lhe dar realização profunda e grande alegria nele.

Pense em tudo isso, amiga. E volte para conversarmos mais se quiser.

Que a paz de Cristo esteja sobre sua vida!

Kisses,

Su

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