Pergunta:

Olá,Su? Tudo bem? Hoje, eu gostaria de fazer duas perguntas. Vou tentar ser rápida objetiva kkkk. Então, queria saber se você acha errado ter filhos apenas pra que eles te sustentem no futuro, ter filhos apenas pra que eles cuidem dos pais. Na minha opinião, eu acho errado, porque a concepção e a vida desses filhos em questão não deveria ter essa motivação. Vou explicar o porquê dessa primeira pergunta: Bom, quando eu nasci, meus pais eram muito pobres, e pelo pouco que eu sei, eu meio que fui um “acidente” (sei que não devemos pensar em nós mesmas como acidentes, porque Deus nos criou, mas estou usando essa palavra pra você entender a situação). Minha própria mãe já fez questão de falar na frente de visitas que, no dia em que ela soube que estava grávida, ela ficou muito triste. Ela ficou repetindo essa frase – com destaque no “triste”- várias e várias vezes na frente das visitas enquanto eu pedia para ela parar :( Isso já faz um tempo (Deve fazer uns 3 anos), mas nunca saiu da minha cabeça. Ou seja, eu sou um “acidente” pelo qual meus pais veêm esperança de ter uma vida melhor. Quando o assunto é o meu futuro, meus pais dão muita ênfase na parte em que “você vai sustentar a gente quando se formar”. Por favor, não me interprete mal. Vou sim ajudar eles quando a hora chegar, mas parece que o foco é esse, sabe? Acho irônico que eles querem que eu os sustente, mas minha mãe não tem paciência na maior parte das vezes quando tento desabafar sobre minhas preocupações relacionadas aos meus estudos. Teve uma vez em que, já fazia um tempão, talvez meses, que eu não falava com ela sobre isso, e quando eu falei, ela se irritou na hora, disse que eu era irritante e que só sabia falar disso, o que, como já falei, não era verdade.Segunda pergunta: sabe a questão de Harry Potter? *riso nervoso* Então, eu queria saber como falo com meus pais sobre isso. Não consegui falar antes por dois motivos: percebi que o clima aqui em casa não tava legal e eu tava com medo (ainda estou kkkkk). Acho que o clima tá ok agora, mas não sei como puxar assunto pra resolver isso. Tenho medo de só chegar e soltar “Mãe, pai, então, sabe o Harry Potter?” Sinto que vai dar tudo errado, até porque, meus pais demonizam muitas coisas. Recentemente, passou alguma coisa sobre o Michael Jackson na TV, aí meu pai soltou: “Esse aí morreu e continua famoso. Com certeza era cheinho” (cheinho=cheio de demônios, alguém que fez pacto com o Diabo), aí meio com medo, respondi bem calma: “Claro que é famoso, ele era o Rei do Pop”. Essa semana, passou um mágico, daqueles que tiram coelhos da Cartola, na TV. Aí, meus pais ficaram falando que aquele mágico devia ser endemôniado/ter feito um pacto pra conseguir fazer aquilo. Tentei explicar que aquilo era só um truque de ótica, mas minha mãe falou que truque é coisa do Diabo. E agora? Como chamo eles pra falar e resolver a questão de Harry Potter? Como lido com a situação sabendo que a mente deles é assim (pra vc ver o fundo do iceberg, eles não acreditam que o Homem foi à Lua ou que o Homem sequer saiu do planeta Terra!)? Como tomo coragem e como converso e argumento com eles? O que faço se eles responderem com ignorância?Um abraço. A.

Resposta da Sú:

Hello, A.! Sempre bom encontrar você aqui 🙂

Primeiro, ter filhos pode fazer parte do quadro mais amplo do casamento, como um “transbordamento” do amor que existe entre os dois. Não é uma simples questão prática de provisão/garantir uma velhice confortável. E nem sempre faz parte da história de um casal ter filhos. Não é algo obrigatório.

Em minha opinião, existem coisas muito profundas nessas falas da sua mãe, coisas que ela precisava tratar dentro dela. Concordo 200% com o que você disse sobre não sermos “acidente”. Eu também nasci sem ser planejada por meus pais, em um momento que não tinham nem como cuidar direito de mim, mas eu tenho absoluta certeza de que fui planejada e amada por Deus mesmo antes de vir ao mundo. E você também! Assim como seus pais falam por ignorância que o homem nunca saiu da Terra, sua mãe fala essas coisas por ignorância do tamanho da ofensa que é para uma filha ouvir uma coisa dessas. Se acontecer de novo, deixe bem claro o quanto machuca você. Peça para Deus ajudar você a perdoar essa falta de sensibilidade absurda e para ele dar para você convicção de que “ainda que o meu e a minha mãe me abandonem [inclusive emocionalmente, como sua mãe faz], o Senhor cuidará de mim” (Salmos 27.10). O Senhor é nossa Mãe perfeita e nosso Pai perfeito. Tenho experimentado isso de maneiras muito profundas em minha vida e desejo o mesmo para você.

E, quanto ao Harry Potter, será que vale mesmo a pena você insistir nisso e desencadear ainda mais conflitos e comentários que vão deixar você triste? Eu sei que é importante pra você, mas é bom se perguntar se você realmente quer lidar com o que talvez tenha que ouvir.

Claro que você pode fazer uma tentativa. Releia aquilo que a gente conversou aqui:

Olá, Su! Paz do Senhor. Tudo bem? Te conheci pelo seu Devocional para Meninas e decidi enviar essa pergunta. Preciso de um conselho kkkkk Bom, é o seguinte: No ano passado, assisti o 1° filme de Harry Potter. Gostei bastante e descobri que uma menina do grupo de adolescentes da igreja que faço parte também gostava.Começamos a falar sobre esse universo e, nessa conversa, mandei uma mensagem por áudio. Minha mãe escutou e perguntou COM QUEM e SOBRE O QUE eu estava falando. Ali, meu coração gelou. Eu sabia que coisa boa não viria daquele dia. Em nenhum momento eu assisti nada escondida. Simplesmente fui lá (no meu telefone), pesquisei e assisti. Simples. “Quem nada deve, nada teme”, não é verdade?Furiosa, minha mãe começou a brigar comigo, pegou meu celular e ativou um aplicativo de controle e monitoração familiar nele.Sabe, em relação à obra “Harry Potter”, minha consciência está tranquila. Sei que não pequei ao assistir e gostar do primeiro filme. A magia de Harry Potter é completamente diferente da magia da vida real. Falar que Harry Potter é do Capeta é a mesma coisa que querer comparar a Fada Madrinha com uma bruxa da vida real. Além disso, a obra tem valores e símbolos cristãos (Se não me engano os pais do Harry Potter possuem um versículo em seus túmulos). Esses são alguns dos meus argumentos.Um tempo depois (não lembro o tempo exato, mas digamos que foi semanas depois), minha mãe me chamou, aos prantos, falando que queria conversar comigo. Na hora, desconfiei. Basicamente, ela queria que eu falasse tudo o que eu achava dela (todos os defeitos, para ser clara). Eu que não sou boba (desculpa, digitei com um pouco de mágoa nessa parte), não falei nem metade do que eu penso. Apenas disse duas coisas: que ela é “UM POUCO”ESTRESSADA, mas que “todas as mães são assim” e que eu não gosto de como ela demoniza tudo. Ela não gosta que eu veja animes, fica julgando que escuta músicas não cristãs mesmo que a tradução esteja de acordo com o que Filipenses 04:08 ensina ( mal sabe ela que, com ajuda desse versículo, também escuto músicas cujo os cantores não são cristãos).Também falei sobre a questão de Harry Potter e mostrei um vídeo de um pastor falando sobre isso brevemente. Pedi permissão para assistir e ela disse que falaria com meu pai primeiro. Ali, soube que era uma causa perdida. O problema não era falar com meu pai, mas sim o fato de que minha mãe provavelmente contou a versão dela para ele. Sempre que algo assim ocorre e meu pai me dá a maior bronca do planeta, tenha a certeza de foi isso que ocorreu.Enfim, no domingo seguinte, meu pai falou que recebeu uma pergunta de um amigo sobre a situação bíblica em que o rei Saul queria invocar o espírito de Samuel. O amigo queria saber: aquele era ou não o Samuel? Aí, ele (meu pai) começou a abordar assuntos de magia. Pronto. Olhei pra minha mãe (que nem me olhou de volta) e meu pai falou :”Não olhe pra sua mãe.Olhe pra mim”. Meu pai distorceu completamente o texto para falar que Harry Potter seria do Diabo. E sabe o que mais? Também fui proibida de ler C.S Lewis e As Crônicas de Nárnia porque, segundo meu pai, isso também é do Diabo.A questão do C.S Lewis só mudou quando o pastor recomendou um dos livros dele. Aí, meus pais ficaram ansioso para comprar. Falei com minha mãe sobre isso. Com todo o respeito, isso é MUITO hipócrita (tão hipócrita quanto minha mãe me proibir de ler/assistir Harry Potter sendo que o sonho dela é assistir Aladin, que contém o que eles julgam ser pecado até na ficção: magia). Resultado: mesmo eu falando com respeito, ela foi super rude, elevou o tom de voz e me mandou ficar quieta e parar com a “falta de respeito” (vulgo a forma como certos pais chamam quando o filho discorda com respeito.)No dia seguinte à conversa com meu pai e minha mãe, minha mãe entrou nesse assunto e falei a verdade: vou obedecer, mas discordo completamente deles. Ótimo. Isso foi o suficiente para ela bater na mesa, gritar e falar que se eu não mudasse de opinião, eu iria ser castigada.Já pedi a Deus que me mostre uma forma de mostrar a eles que estão errados. Mas simplesmente sinto que não dá pra conversar. Como você vê, não há respeito pela minha opinião mesmo que eu tenha respeito. E agora???? Quero poder ler e assistir Harry Potter sabendo que meus pais não irão “surtar”. Quero mostrar que minha opinião tem base e obter autorização. Preciso de ajuda. Não sei o que fazer. Peço desculpas caso encontre erros de escrita. Escrevi bem rápido. Desde já, agradeço. Deus abençoe. A.

Antes de falar com eles, peça muita sabedoria e direção de Deus. Ele onde mostrar se é o momento certo e, se for, pode ajudar você a falar de um jeito legal e respeitoso.

Agora, lembre-se de que a gente não controla as emoções e reações dos outros. Pode acontecer de você fazer uma apresentação maravilhosa as coisas boas do Harry Potter e seus pais dizerem “Não”. E ponto final.

Mas confie que Deus sabe do que você deseja e do que você precisa. Confie que, aconteça o que for, ele cuidará de você com bondade!

Até a próxima, amiga!

Kisses,

Su