Pergunta:

Olá,Su! Então, esse ano, entrei em uma escola nova e uma menina que estudou comigo no ano passado na escola anterior está estudando na mesma escola e classe que eu atualmente. Embora ela seja “cristã” e a gente seja da mesma convenção, ela é o tipo de pessoa que o comportamento, as conversas e os interesses não convém com alguém que é cristão. Ela não é o tipo de pessoa que apronta o tempo todo (o defeito de comportamento dela é que ela tem um pavio curto e é meio briguenta), então eu consigo manter uma relação saudável com ela, até porque ela demonstra realmente gostar de mim como pessoa. Na nossa sala, ela faz parte de um grupo que, contando com ela, são quatro pessoas, um menino e três meninas. Esse grupo está sendo bem simpático comigo até agora, mas é aquela coisa, quero me afastar aos poucos dele porque acho que é necessário. Também incluo a colega em destaque nessa decisão de me afastar. O motivo é o comportamento e os interresses, além de diferenças ideológicas que podem ser um conflito futuro. Muitas vezes, eles soltam piadas de conotação sexual além de outros assuntos bem desagradáveis e quem não são legais para um cristão. Nesses momentos, não estou envolvida na conversa, apenas escuto na banca ao lado.A questão é que eles me consideram AMIGA deles – principalmente a menina que estudou comiga na outra escola – mesmo eu sendo apenas colega dos quatro. Não sou amiga deles, aquela é apenas uma relação de um grupo de amigos com uma colega. Não posso simplesmente olhar na cara deles e soltar : “não sou amiga de nenhum de vocês”. Infelizmente, eu vejo muitos adolescentes quebrarem a cara porque não conseguem diferenciar um colega de um amigo. Eu já sei diferanciar, mas é muito complicado lidar com pessoas que não conseguem, e por isso, confundem que tipo de relacionamento elas tem com os outros. Acho que isso ocorre muito no Brasil por conta da cultura mais extrovertida, que afeta gente introvertida como eu kkkkk.Enfim, evito sentar em uma banca onde eu fique no centro ou formando um círculo com eles. Devido ao tamanho da sala, à quantidade de bancas e ao fato de que eu não quero sentar perto da “turma do fundão”, eu fico ao lado desse quarteto. O próprio tio do menino desse grupo, que é professor da gente, me avisou em tom de brincadeira pra me afastar do grupo na primeira ou segunda semana de aula.E agora? Como faço pra me afastar deles sem arranjar confusão, ser rude e magoá-los de forma desnecessária? As aulas já voltam na primeira semana de agosto. Só um detalhe: como temos o mesmo caminho, a menina em destaque me acompanha até a parada de ônibus depois da escola. Não sei o que faço. Um abraço! A.

Resposta da Sú:

Hello, A.! Entendo seu dilema, amiga! E acho muito sensato e maduro de sua parte diferenciar entre colega e amigo. Gostaria de propor algumas perguntas para pensarmos juntas.

1. Por que é tão importante para você que essas pessoas saibam que você não é amiga delas, mas só colega? Sim, você pode ter definido isso em seu coração e tudo bem. Mas se elas querem chamar você de amiga, qual é o problema? Você tem medo de ser confundida com elas, de adquirir uma reputação negativa por andar com elas?

2. Se você tem consciência clara de certo e errado, por que você considera tão necessário se afastar dessas pessoas o mais rápido possível? Você tem medo de que elas a influenciem a fazer coisas erradas?

3. Você não vê nenhuma possibilidade de cultivar uma amizade com essa menina que acompanha você até a parada de ônibus? Por que não?

Existe um equilíbrio muito delicado nessas questões de relacionamento que a gente só consegue manter com muita ajuda, sabedoria e direção de Deus. É verdade que a Bíblia nos adverte para termos cuidado com os relacionamentos que formamos, para que eles não sejam tropeço em nosso relacionamento com Deus. Ao mesmo tempo, se prestarmos atenção no exemplo de Jesus, ele andava o tempo todo com pessoas consideradas imorais, corruptas e sem religião. Aliás, ele era conhecido como “amigo de pecadores” (p. ex., Mt 9.11). Ou seja, ele era amigo (e não só colega) de pessoas de reputação e comportamentos duvidosos (do tipo que outros advertem para a gente manter distância!).

E aí, como a gente junta essas duas verdades da Bíblia?

Primeiro, acho super importante você ter consciência de seus princípios, seus valores, daquilo que você considera certo ou errado e, principalmente, de sua identidade em Cristo. Jesus podia andar com pecadores porque ele passava horas conversando com Deus em oração e porque ele tinha a identidade dele firmemente arraigada no Pai – e não nas pessoas ao redor.

Segundo, somos chamados a ser sal e luz no meio de pessoas que não conhecem Deus, que pensam e se comportam de forma diferente de nós – exatamente como Jesus fez.

Terceiro (e bem importante), Jesus era amigo de pecadores, sim, mas ele também tinha um grupo de amigos bem chegados que andavam com Deus: os discípulos dele, especialmente Pedro, Tiago e João. A meu ver, isso significa que podemos andar com a turma “de má reputação”, mas que devemos encontrar uma turma que também nos apoie e nos fortaleça espiritual.

Portanto, talvez não seja questão de como se afastar desse pessoal, mas de como acrescentar ao seu círculo de convívio pessoas que também andem com Jesus de verdade, com quem você possa orar, compartilhar seus desafios e que você possa apoiar também, ao mesmo tempo que você brilha com a luz de Cristo para a outra turma.

Considere tudo isso que falei. Coloque diante de Deus e peça direção clara dele. Peça, também, que ele coloca amizades verdadeiras e edificantes em sua vida no tempo e do jeito dele. E que ele fortaleça você para amar e servir a essa turma com a qual você está convivendo no momento.

E, se quiser continuar a conversa, é só passar aqui novamente!

Até a próxima!

Kisses,

Su